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Alguns ensaios permanecem na memória pelas fotografias. Outros permanecem porque mudam a forma como passamos a fotografar. Este foi um deles. Durante a sessão, percebi que não precisava pensar em poses. Bastava imaginar uma cena, uma emoção ou um estado de presença. A direção deixava de ser um conjunto de movimentos e passava a nascer de uma intenção. Em um instante, a imagem pedia firmeza. No seguinte, bastava mudar o ritmo da voz, a atmosfera da cena ou a forma como a luz ocupava o espaço para que surgisse outra narrativa. Não era uma nova personagem, mas uma nova possibilidade de existir diante da câmera. Foi ali que compreendi que fotografar não é conduzir pessoas até uma imagem previamente construída. É criar as condições para que uma ideia encontre forma. Desde então, passei a confiar menos nas poses e mais naquilo que ainda não pode ser visto. Na emoção que antecede o gesto. Na história que existe antes da expressão. Talvez seja por isso que este ensaio permaneça tão vivo para mim. Não pelo que foi fotografado. Mas porque foi nele que descobri que minha fotografia começava muito antes do clique. Ela começava na intenção.